sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Grupo Inquérito acaba de lançar seu novo vídeo clip.

 O Grupo Inquérito acaba de lançar seu novo vídeo clipe ''Meu Super Herói'. O lançamento aconteceu nesta sexta feira, dia 20 de dezembro em uma apresentação memorável ao ar livre numa pacata rua do Jardim Pery, exatamente onde o rapper Renan morou até os 10 anos de idade. A Apresentação exclusiva do clipe será feita em diferentes espaços de São Paulo, que,  não poderia deixar de ser uma delas na comunidade onde as cenas foram captadas, na favela do Flamingo/ Jardim Pery, na zona norte da capital paulista.

 Renan nos contou da sua emoção de hoje estar de volta ao bairro de origem, onde passou parte da sua infância.

O enveno contou a presença de amigos, vizinhos da família de Renan.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

GRAFITE CENSURADO: CARETICE, MOTIVO RELIGIOSO, OU POR QUAL MOTIVO PROIBIRAM ESSE GRAFITE DO ESBONGAROTO?..

Moradores da zona norte se indignam com grafite polêmico e sugerem via pressão ESBONGAROTO apagá-lo. Na cena duas mulheres quase se beijam enquanto se acariciam. Tal cena gerou desconforto em moradores, eles reclamam pelo contexto do desenho e eu pergunto: e se fossem um homem e uma mulher, geraria a mesma polêmica?

Num pais onde o crime organizado já quase comanda todas as cadeias, ruas, bocas de fumo e comércio, através de milicias disfarçadas e até delimitando horário e itinerário de populações controlando a vida de centenas de comunidades pelo pais afora, da mesma forma como nosso meio ambiente é supra castigado por todos os meios termos e fins, pela falta de uma boa saúde em nossos hospitais do estado, da cidade e do Brasil todo, pela omissão nos setores sociais de distribuição de rendas, pelo corporativismo em todas as esferas politicas sócio culturais, ambientais e sociais, pela fraquíssima atuação do governo para com a reparação nas leis antigas qual fonte políticos, empresários e seus asseclas se beneficiam delas forjamente, pela poluição dos nossos rios com suas águas 100% poluídas, por toda a corrupção, dos mensalões do psdb, pmdb, dem, ptb, pt, e de quem mais tiver. por toda essa balburdia norteadora de problemas que há séculos se enfrenta nessa terra do brasil varonil, o que dizer ao deparar ainda hoje, dia  18 de dezembro de 2013 tal preocupação de algum ser comum(?) censurar uma obra arte ( digamos sim ousadinha, mas...) impressa num muro num bairro da periferia???? Caretice? religiosidade? censura?

Este não é o primeiro, nem o segundo e muito menos o terceiro grafite censurado nesta terras de brasilis de zés manés no puder.....São muito os casos de intervenções censurais que simplesmente nos faz lembrar dos velhos tempos idos da ditadura militar, onde quase não se podia cagar sem dar um suspiro. e ai se cantassemos uma só frase de uma música dos artistas por eles considerados terroristas: Chico Buarque,  Tom Zé, Gil, Elis....velhos tempos que por muita luta ficou pra trás, graças a Deus


Ao ver tal post postado na página oficial do Eriton- ESBONGAROTO- sobre esta censura, e ao encontrá-lo on line no face, fiz esta pequena e breve entrevista:

Segue:
Perynews:
Estava vendo essa sua nova postagem e resolvi saber melhor: censuraram uma obra sua? explica melhor aqui aos nossos internautas e seus seguidores e fãs ,o que aconteceu de fato com esse seu novo trampo?
Ebg: É uma historia meio longa. A dona de uma casa ali na Av. cujo nome, por ironia é ''Direitos Humanos' me autorizou a fazer o grafite . Já depois da arte pronta alguns inquilinos dela ficaram bolados com o tema ( acharam pornográfico?), e chamaram a policia. Os pms vieram e disseram que nada podiam fazer, pois não tinham autorização alguma, mas aconselharam os incomodados a procurar seus direitos e abrir um processo contra a dona da casa.. Depois de muito rebuliço, xingamentos e ameaças, a proprietária pediu pra que eu apagasse a arte....Depois de muito rebuliço, xingamentos e ameaças, a proprietária pediu pra que eu apagasse a arte....

Perynews: E o grafite foi apagado?

Esb: Sim

PeryNews: Vc chegou a pensar em intervir na obra, tipo incrementar com novos traços pra que ao invés de apagar no todo mudasse a temática e deixasse menos forçoso na cena( pra eles eu falo), acha que poderia haver acordo?

Esb: Não. Todo mundo ficou pedindo pra eu fazer isso mais eu me recusei..

PeryNews: Porque preferiu fazer assim?

Esb: Em primeiro lugar acho hipocrisia das pessoas e uma falta de entendimento também. Muitos acham que eu estou fazendo apologia, mais eu estou apenas relatando algo, colocando pra fora coisas que eu já vi, mais de uma forma que me sinto fazendo meu trabalho. Vejo minha arte como uma forma de fazer as pessoas pensarem, e se alguém sair do conforto do seu lar pra censurar um grafite meu, esta pessoa fazendo jus a o que veio?

PeryNews: Qual seu sentimento diante da situação?

Esb: Na real a arte tem um poder enorme, influencia a vida das pessoas de uma forma que não podemos imaginar, e não podemos controlar o que as pessoas pensam, o que sentem, como elas interpretam, só acho que é uma questão de interpretação....

PeryNews: Qual o seu sentimento diante duma situação dessa: censura em plena era onde o mundo se prepara para liberar a maconha, o sexismo?..

Esb: eu lamento estou me expressando, não me impondo.

PeryNews: Este é o seu 1º trabalho censurado?

Esb: Não, já tive outros trampos proibidos que tiveram de ser ''hipocritamente''apagados também..

PeryNews: Qual a sua esperança, sua motivação pra não parar com a sua arte ao seu modo, sem que venham e interfiram censurando-a?

Esb: Que um dia tudo isso vai cair por terra ...a hipocrisia, a ignorância, a mesquinhes, a falta de conhecimento, a fraca possibilidade de auto avaliação, a caretice......


PeryNews: já pensou em um grafite no mesmo point feito de forma pensada, com um tema idêntico, mas oculto?


Esb: Sim tenho pensado....

Esb: Em primeiro lugar acho hipocrisia das pessoas e uma falta de entendimento também. Muitos acham que eu estou fazendo apologia, mais eu estou apenas relatando algo, colocando pra fora coisas que eu já vi, mais de uma forma que me sinto fazendo meu trabalho. Vejo minha arte como uma forma de fazer as pessoas pensarem, e se alguém sair do conforto do seu lar pra censurar um grafite meu, esta pessoa fazendo jus a o que veio?

PeryNews: Qual seu sentimento diante da situação?


Esb: Na real a arte tem um poder enorme, influencia a vida das pessoas de uma forma que não podemos imaginar, e não podemos controlar o que as pessoas pensam, o que sentem, como elas interpretam, só acho que é uma questão de interpretação....

PeryNews: Qual o seu sentimento diante duma situação dessa: censura em pleno era onde o mundo se prepara para liberar a maconha, o sexismo?..eu lamento estou me expressando, não me impondo.
PeryNews: Este é o seu 1º trabalho censurado?

Esb: Não, já tive outros trampos proibidos que tiveram de ser ''hipocritamente''apagados também..

PeryNews: Qual a sua esperança, sua motivação pra não parar com a sua arte ao seu modo, sem que venham e interfiram censurando-a?

Esb: Que um dia tudo isso vai cair por terra ...a hipocrisia, a ignorância, a mesquinhes, a falta de conhecimento, a fraca possibilidade de auto avaliação, a caretice......PeryNews: já pensou em um grafite no mesmo point feito de forma pensada, com um tema idêntico, mas oculto?

Esb: Sim tenho pensado....

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Brasil começa a explorar energia limpa das ondas

Já existe uma nova forma de produzir energia elétrica proveniente de fontes limpas e a primeira grande experiência brasileira está acontecendo nesse mês: tirar energia das ondas do mar. Localizada no Porto de Pecém, no Ceará, a primeira usina para esse tipo de produção está em desenvolvimento e será lançada na Conferência rio+20. O potencial brasileiro é considerado altamente favorável: afinal, são 8 mil quilômetros de extensão de litoral. Território que seria capaz de receber usinas de ondas capazes de produzir 87 GW.
Como funciona
Os dois braços mecânicos já estão instalados no píer de Pecém e na ponta de cada um deles há, em contato com a água, uma bóia circular que sobe e desce de acordo com o movimento das ondas. É esse movimento contínuo das bóias flutuadoras que aciona bombas hidráulicas e faz com que a água no interior de um circuito fechado circule em ambiente de alta pressão. ”Fazendo uma analogia com uma usina hidrelétrica, em vez de termos uma queda d’água, temos isso de forma concentrada em dispositivos relativamente pequenos, onde a pressão simula cascatas extremas de 200 a 400 metros” — explica Segen Estefen, professor de engenharia da Coppe, que desenvolveu a tecnologia.
Depois disso o que ocorre é que a água sob pressão vai para um acumulador, que, de acordo com o professor, é o pulmão do dispositivo porque é composto por água e ar comprimido em uma câmara hiperbárica e depois é transformado em energia elétrica. Ou seja, mais uma opção de produção de energia renovável, que usa de forma adequada a força das ondas, sem poluir o meio ambiente.
O Ceará foi escolhido para esta grande experiência porque tem os chamados ventos alísios, resultado do movimento de rotação da Terra. O que garante que tenhamos ondas regulares no mar brasileiro na maior parte do ano: “Nossas ondas batem de forma constante em mais do que 70% do ano”, afirma Estefen. O projeto é financiado pela Tractebel Energia por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica, com o apoio do governo do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Reitor da USP vira réu em ação de improbidade administrativa

O Ministério Público Estadual entrou com um processo de improbidade administrativa contra o reitor da Universidade de São Paulo, João Grandino Rodas. Ele terá que responder por supostos contratos ilegais e uso de verba de gabinete para promoção pessoal quando exerceu o cargo de Diretor da Faculdade de Direito da USP, em 2009.
Ontem, a defesa preliminar de Rodas foi rejeitada e o reitor se tornou réu na ação. O advogado Luiz Olavo Baptista, que defende Rodas, não foi encontrado para comentar a decisão.
Zanone Fraissat - 13.mar.13/Folhapress
Promotoria entra com ação civil pública por improbidade administrativa contra o reitor da USP, João Grandino Rodas
Promotoria entra com ação civil pública por improbidade administrativa contra o reitor da USP, João Grandino Rodas
De acordo com a ação, Rodas "celebrou contratos de doação com encargo, sem prévio procedimento licitatório e com inobservância dos procedimentos administrativos da universidade". Segundo o Ministério Público, o reitor ainda utilizou de publicações acadêmicas em proveito próprio, "as custas do erário público".
O valor da ação é de R$ 3.354.996,93 e é movida pelo promotor Silvio Antonio Marques. Se condenado Rodas, além de pagar o valor, ainda perderá os direitos políticos e a função pública.
O CASO
A denúncia contra o reitor foi originada a partir de denúncia do atual diretor da faculdade de direito, Antonio Carlos Gomes Filho, que questionou os atos de Rodas.
De acordo com a promotoria, o atual reitor da USP, entre 2009 e 2011, quando era o diretor da faculdade de direito, firmou acordos ilegais, sem licitação e sem autorização administrativa, com os escritórios de advocacia Pedro Conde e Pinheiro Neto.
Segundo a peça judicial, em troca da reforma de um auditório, de um conjunto de banheiros e de uma sala de aulas, Rodas deu autorização para que ambientes da faculdade fossem batizados com nomes que homenageariam fundadores dos escritórios.
Em decisão da congregação de faculdade de direito, em 2010, os acordos firmados pelo atual reitor foram revogados, mas representantes do escritório Pedro Conde entraram na Justiça com pedido de indenização por quebra de contrato no valor de R$ 1 milhão.
O outro ponto de improbidade levantado pela Promotoria ocorreu quando Rodas já estava no cargo de reitor, em 2011.
Segundo a ação, edições extras de um boletim interno da universidade "USP em destaque" foram desvirtuados da função informativa para serem usados para "fazer ataques" à atual direção da faculdade de direito.
Os boletins são produzidos pela coordenação de comunicação social da universidade e impressos em uma gráfica externa, contratada por licitação.
Por meio de nota a USP disse que caberá a Justiça examinar as provas e que "certamente, concluirá que não houve nem má fé, nem, qualquer dano ao erário público".
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Leia a nota da USP na íntegra
A justiça caberá examinar as provas e, certamente, concluirá que não houve nem má fé, nem qualquer dano ao erário público. Muito pelo contrário, só houve benefícios para a Universidade.
Sobre a doação, a portaria nº 07/2010, que contempla inter alia os nomes das salas, foi feita em atenção à solicitação da Associação dos Antigos Alunos, corroborada por mais da metade dos membros da Congregação da Faculdade de Direito.
Antes da referida solicitação, não há qualquer documento com relação ao Escritório Pinheiro Neto; havendo, entretanto, documento assinado pela Associação dos Antigos Alunos, a Faculdade de Direito e a Família Conde.
Nesse documento, que teve por testemunhas a então presidente do C.A. XI de Agosto, Talita Nascimento, e o diretor da Associação Atlética XI de Agosto, Thiago Gerbasi, há apenas a obrigação de enviar aos órgãos competentes a sugestão de aposição do nome e não a obrigação fazê-lo. A doação foi analisada pela Comissão de Orçamento e Patrimônio, instância do Conselho Universitário (órgão máximo da Universidade), que convalidou o processo.
Sobre o boletim USP Destaques, assuntos cuja disseminação é pertinente a toda a Universidade - cerca de 110 mil pessoas - são veiculados pelo boletim. Entretanto, assunto referente a determinado campus ou Unidade é divulgado por edições especiais do mesmo boletim.
Pertence à segunda, a publicação editada no dia 20 de setembro de 2011, tendo exatamente como público-alvo o do assunto a que o boletim se refere, nesse caso específico, a comunidade FD.
A motivação desse boletim foi relembrar, com base em documentos da época (disponibilizados on-line) o então sucedido, justamente quando a aula programada para o dia 21 pretendia iniciar a discussão do estado em que se encontra a infraestrutura da FD, com o propósito claro de se debitar a inércia dos últimos dois anos à antiga Diretoria e atual Reitoria.
Nada mais apropriado, pois cerca da metade dos alunos entraram nos dois últimos anos e tem o direito de formar seu próprio juízo sobre a questão. O objetivo da publicação, dessa forma, foi o de informar a comunidade da FD.

DILMA DISCURSA EM CERIMONIA DE DESPEDIDA DE NELSON MANDELA

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Denúncias IstoÉ: Máfia dos trens superfaturou em quase R$ 1 bi na gestão Serra

publicado em 7 de dezembro de 2013 às 0:53
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O trem da corrupção. E agora, Serra?
Pedro Marcondes de Moura, Sérgio Pardellas e Alan Rodrigues, em ISTOÉ
A primeira reação da maioria dos políticos que se tornam alvo de denúncias de corrupção é negar enfaticamente sua ligação com os malfeitos. A partir do surgimento de novas evidências, em geral as justificativas vão sendo readaptadas. Quase todos agem assim. O ex-governador de São Paulo, José Serra, cumpriu o primeiro passo da má liturgia política, mas não o segundo.
Mesmo com o escândalo do Metrô de São Paulo chegando cada vez mais próximo dele, Serra mantém as alegações iniciais. O ex-governador tucano diz que durante sua gestão não tomou conhecimento de qualquer cartel montado por empresas de transportes sobre trilhos. Muito menos que teria incentivado o conluio, pois sempre atuava, segundo ele, a favor do menor preço.
Mas Serra não poderá mais entoar por muito tempo esse discurso, sob o risco de ser desmoralizado pelas investigações do Ministério Público. Novos documentos obtidos por ISTOÉ mostram que a máfia que superfaturou contratos com o Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não só agiu durante o governo Serra como foi incentivada por agentes públicos a montar um cartel.

Conforme a documentação em poder do MP, as irregularidades ocorreram entre 2008 e 2011. No período em que a maior parte dos contratos irregulares foi assinada, Serra era governador (entre 2007 e 2010).
Os superfaturamentos estão relacionados a um controverso projeto de modernização de 98 trens das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô. A reforma dos veículos, com cerca de quatro décadas de operação e considerados “sucata” pelas autoridades que investigam o caso, custam ao erário paulista R$ 2,87 bilhões em valores não corrigidos, um prejuízo de quase R$ 1 bilhão. Para se ter uma ideia, os valores se assemelham aos desembolsados pelo Metrô de Nova York na aquisição de trens novos. E quem vendeu os trens ao Metrô nova-iorquino foi justamente uma das companhias responsáveis pela modernização em São Paulo.
Além do flagrante superfaturamento, o promotor Marcelo Milani, do Patrimônio Público, já confirma a prática de cartel. O conluio, segundo ele, foi incentivado por agentes públicos em pelo menos um dos dez contratos relacionados à modernização. Trata-se do contrato do sistema de sinalização, o CBTC. Em depoimento ao MP, o engenheiro Nelson Branco Marchetti, ex-diretor técnico da divisão de transportes da Siemens, relatou que representantes da multinacional alemã e da concorrente Alstom foram chamados para uma reunião por dirigentes do Metrô e da Secretaria de Transportes Metropolitanos.
Na época, o órgão era comandado por José Luiz Portella, conhecido como Portelinha, braço direito de Serra. Durante o encontro, as companhias foram incentivadas a montar cartel para vencer a disputa pelo contrato do sistema de sinalização dos trens das linhas 1, 2 e 3 do Metrô. Os executivos das empresas ainda sugeriram que o governo licitasse a sinalização linha por linha, o que triplicaria a concorrência. Mas o governo foi enfático ao dizer que gostaria que um consórcio formado por duas empresas vencesse os três certames. A Alstom acabou vencendo sozinha o contrato para o fornecimento do CBTC para as três linhas do Metrô.
Em outro depoimento prestado à Polícia Federal, Marchetti já havia relatado que as pressões do governo paulista eram constantes. “No edital havia a exigência de um capital social integralizado que a CAF (empresa espanhola) não possuía. Mesmo assim, o então governador do Estado (José Serra) e seus secretários fizeram de tudo para defender a CAF”, declarou ele sobre o contrato para fornecimento de vagões pela CPTM em que o ex-governador e Portella teriam sugerido que Siemens e CAF se aliassem para vencer a licitação. A prática narrada acima acrescenta novos elementos ao escândalo na área de transporte, que Serra, apesar das constantes negativas, não tem mais como refutar.
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Novos documentos e depoimentos em poder do Ministério Público também reforçam que o esquema criminoso teria o apoio de políticos e funcionários públicos beneficiados pelo recebimento de propina.
Na última semana, outro executivo da Siemens, além de Everton Rheinheinmer, confirmou a existência de pagamento da comissão para agentes públicos de São Paulo. Em depoimento à Polícia Federal, o vice-chefe do setor de compliance da multinacional alemã, Mark Willian Gough, relacionou uma conta em Luxemburgo de Adilson Primo, ex-presidente da companhia no Brasil, no valor de US$ 7 milhões, aos subornos.
À ISTOÉ, um ex-dirigente da MGE, outra empresa envolvida no cartel, também confirmou que representantes da Siemens cobraram de sua companhia o pagamento de propina a autoridades, em troca da obtenção de contratos com o governo paulista. A cobrança teria partido do próprio Rheinheinmer. O dinheiro, segundo o ex-executivo da Siemens, teria como destinatários parlamentares da base aliada ao governo tucano na Assembleia Legislativa.
Ainda de acordo com o ex-dirigente da MGE, Rheinheinmer também teria o procurado para abrir uma conta no banco suiço Credit Suisse, em Zurique. O ex-dirigente da MGE afirma que era para lá que a Siemens mandaria parte do dinheiro desviado. “Fui procurado por Everton da Siemens tanto para pagar propina para a base aliada quanto para abrir a conta na Suíça”, confirmou à ISTOÉ o executivo da MGE.
O Ministério Público paulista investiga o superfaturamento na modernização dos 98 trens das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô paulista há pelo menos um ano e meio. Um dos fatos que chamaram a atenção do promotor Milani foi a falta de competitividade na licitação dos quatro lotes de veículos reformados. Cada um deles foi disputado por um único consórcio, que reunia uma ou mais empresas. Ao final, sagravam-se vencedores com propostas acima dos valores estabelecidos pelo Metrô em consulta de tomada de preço feita com as próprias empresas.
Tamanho disparate nos preços fez com que até dirigentes das companhias oferecessem descontos para a estatal. Um deles foi assinado pelo ex-presidente da Siemens Adilson Primo. As apurações, no entanto, esbarravam em um obstáculo. A iniciativa de reformar veículos com cerca de quatro décadas em operação só existe no Estado de São Paulo. Em outros lugares do mundo, esses veículos seriam aposentados e trocados por novos por questão de segurança dos usuários e desempenho do sistema. Sem parâmetro de comparação de preços, ficava inviável concluir se a decisão tomada pela gestão de José Serra lesava ou não os contribuintes paulistas.
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Após realizar 30 oitivas, porém, o promotor pôde confirmar as irregularidades.
Ao contrário do que se pensava inicialmente, quando o Metrô de São Paulo justificou que a opção pela reforma aconteceu porque ela sairia 60% mais barato do que o valor a ser desembolsado para compra de trens novos, os altos custos da modernização dos trens não apareciam apenas nos quatro contratos de reforma. Em um claro movimento de despiste, o governo paulista fracionou o serviço e acrescentou outros seis contratos à reforma. O serviço foi, oficialmente, orçado em R$ 1,6 bilhão. Só que, na verdade, a modernização dos 98 trens, com 588 vagões, teve um custo de R$ 2,87 bilhões. Sem contar as correções monetárias.
Segundo o Ministério Público, o Metrô de Nova York realizou a compra de 300 vagões, neste ano, por US$ 600 milhões, o equivalente a RS 1,4 bilhão. Pagou proporcionalmente menos pelos veículos novos do que São Paulo está desembolsando na revitalização daquilo que o MP classifica como sucata. Procurado, o Metrô nega problemas com os trens e irregularidades nos contratos.
Em depoimento ao MP em 9 de setembro ao qual ISTOÉ teve acesso, o ex-diretor do Metrô e signatário de contratos da reforma dos trens Sérgio Correa Brasil confirmou que a estatal não previa no orçamento “o chamado truque, bem como a caixa que importariam em 40% do custo final”. No entanto, esses e outros itens, de acordo com seis contratos extras analisados pelo MP, foram licitados e estão sendo trocados. Diante das irregularidades, o promotor Marcelo Milani deu, na terça-feira 3, um prazo de 30 dias para que o presidente do Metrô de São Paulo suspenda os dez contratos de modernização.
Leia também:
Milani: Trens zerados de Nova York custaram menos que os reformados de SP
Siemens suspeita que pode ter pago R$ 14 milhões em propina