sábado, 20 de julho de 2013

Entrevista com o Gestor Tercio Torres sobre a importância dos espaços culturais na Zona Norte

 15 de julho de 2013 às 12:51

Texto da entrevista feita com Tercio Torres, gravado no jardim do ex clube de tiro atual espaço ''Polo Eco Cultural'' a ser inaugurado em setembro 2013, na Av. Santa Inês- Horto Florestal, em junho de 2013...


Estamos aqui nessa área que faz parte do Peal, onde funcionou por 71 anos o Clube Paulistano de Tiro e, que agora o Instituto Florestal recupera para a criação do Polo Cultural.

PeryNews_ Gostaria que você se apresentasse:

Tercio_ Meu nome é Tercio Torres, sou Gestor Ambiental, trabalhei na Associação Amigos do Horto, sou morador antigo da Vila Albertina. Hoje em Atibaia  trabalho na Secretaria de meio ambiente e urbanismo como fiscal de solo e áreas públicas.

PeryNews_ Você como conhecedor dessa região, seus problemas ambientais, sociais e da falta de espaços públicos ao uso público. Como vê esse ressarcimento do terreno do Ex clube de tiro?

Tercio_ Este polo Cultural, pra mim, marca o inicio de transição de uma cultura de competição para uma cultura de educação...

PeryNews_ Na sua visão, qual o melhor uso deste espaço?

Tercio_ O plano de gestão para o Polo Cultural é o processo de intervenção para administrar as diversas funções do parque. É um instrumento da administração pública, que prevê a organização dos seguimentos sociais para o bom funcionamento da cidade, para o bom funcionamento do parque. De modo a conciliar harmonicamente os seus usos científicos, educativos e recreativos. Como a preservação integral e perene do patrimônio natural. Esta intervenção urbanística visa recuperar para os cidadãos a consciência do sítio natural em qual vivemos, a consciência da importância das áreas verdes na cidade, e dos parques na cidade.

PeryNews_ Qual é a importância dos espaços sociais servirem as comunidade e qual é a expectativa  nesse momento da população daqui do entorno do Horto Florestal?

Tercio_ A grande importância desse momento de transição para a criação do Polo Cultural, no sentido do Instituto Florestal oferecer para a sociedade esse equipamento com oficinas de cultura, de educação e oficinas científicas também, é o momento de conscientização para os cidadãos sobre a importância das pessoas se apropriarem do espaço público. A grande importância dessa oferta de serviços culturais através dessa área pública, que, foi utilizada por 71 anos por um clube que incentiva atividades de tiro. E agora, isso é muito importante: a Secretaria do Meio Ambiente recuperar essa área e oferecer para a sociedade com essas atividades, tão importantes para a cultura, para a formação, para a informação, para Edu comunicação, para os cidadãos desse bairro e de todos os bairros que querem aproveitar todos os espaços de todos os parques da cidade.Fachada original do Prédio - Salão Social do CPT- Clube Paulistano de Tiro
Fachada original do Prédio - Salão Social do CPT- Clube Paulistano de Tiro

PeryNews_ Na sua opinião, o que o novo espaço Polo Eco Cultural pode trazer de benefícios práticos á região e quais os serviços devem ser oferecidos para sua população?

Tercio_ A implantação do Polo Cultural pode abrir caminhos para essa oferta de serviços culturais, recreativos e de lazer, a exemplo de outras instituições que aqui no Brasil oferecem.
Por exemplo, o SESC que tem um trabalho primordial no setor de recreação, esportes, lazer e cultura... Então aqui, pode ser sim um grande inicio para esse modelo de oferta de equipamento de cultura para a sociedade. Este espaço aqui é muito propício pra se desenvolver uma cultura ecológica, uma cultura mais humanitária.
Esta área faz parte do PEAL, sempre fez parte, e ela esta ao lado (vizinha) do Arboreto Vila Amália, onde já há uns 15 anos foi construída a ciclovia pra ser utilizada para o público. Acho que a grande importância agora é aproveitar esse momento para uma integração desta área: ex - clube de tiro com o Arboreto e Peal. Realmente uma integração para uma oferta de serviços eco - culturais.
Tomara que isso tenha um desenvolvimento para a estrutura de oferta de serviços educacionais, culturais, recreativos, científicos, porque a área merece esta restauração...

PeryNews_ E você, como cidadão paulistano, conhecedor das politicas sociais e ambientais na capital e estado, sabedor das pendências e das desassistências ao grande público dos serviços de cultura na periferia, como vê a retomada de uma área pública ser devolvida ao seu real dono, o povo?

Tercio_ Penso que é uma justiça restaurativa, uma ação de reintegração e, agora com o envolvimento da comunidade para a reparação do dano social e que possa também este projeto abrir as portas para o terceiro setor, no sentido de apoiar o Instituto Florestal a desenvolver essas oficinas culturais, e que assim possa ter muitas coisas acontecendo por aqui.

PeryNews_ Grandes parcerias entre estado e terceiro setor tem surtido bons trabalhos em bairros cujas comunidades são desassistidas de espaços e metodologia de cultura. Você acha importante estas parcerias e acha que poderiam trazer estes serviços pra região?

Tercio_ Como citei até uma parceria futuramente com o Sesc quem sabe as forças se unam agora, mas no sentido de cooperação, não aquela força de competição, mas uma força de cooperação, pra que a sociedade dos bairros do entorno do Horto Florestal, como por exemplo Jardim Pery, Pedra Branca, Cachoerinha, tenham essa área como uso público, e que isso traga o incentivo a educação, á formação e a informação das pessoas, principalmente dos jovens e das crianças que moram aqui no bairro e que precisam se apropriar desse local pra que eles tenham a recuperação da consciência do sítio natural, o sitio ecológico em que vivemos, porque os parques fazem parte do sítio da cidade....a cidade cresceu dentro desse sítio natural, se formou através do sítio natural, então o que precisamos é recuperar essa consciência do espaço e da importância das áreas verdes e dos parques da cidade...

Entrevistado por:
Robinson Dias
Fotografias: Tercio Torres/Flávio Galvão

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A REDAÇÃO

Bate Papo Cultural: Ulisses do Juventude Ativa Pery Antártica fala de cultura popular na periferia

Ulisses de Oliveira Educador social e de esportes conversou com o coletivo PeryNews, recebida em sua casa no bairro Jardim Antártica na Zona Norte da capital paulista. O objetivo desta conversa é a coleta de depoimentos que servirão á um curta metragem da história do clube paulistano de tiro, Jardim Pery e região do entorno. Por ora, a busca é a de buscar na fala da sua população os anseios dela em in locu....


Ulisses em dia de manifesto pela vida Av. Mariana C. Ronchettii


Time de futebol de Salão Antártica
PeryNews_  Fala seu nome, sua profissão, e qual é a sua atuação junto ás comunidades do Jardim Antártica, Pery e bairros aqui do entorno? 

Ulisses_Ulisses Neto de Oliveira, vendedor autônomo. Sou Presidente do Centro Social Padre Joseph Allan Black e membro do coletivo Juventude Ativa .

PeryNews_  Fale um pouco da origem, aplicação destes trabalho,e  sua trajetória na região. 

Ulisses_ Cheguei em São Paulo no dia 09 de julho de 1979, uma semana depois estávamos todos, minha Mãe, eu e meus oito irmãos na missa, ali na igreja, foi nessa época que começou a minha militância,  no  fim da década de 80.   A Igreja teve um papel importantíssimo na minha formação, participando de grupos de jovens, grupos de teatro, discutindo o papel dos sindicatos, criando o núcleo de formação política, participando de lutas por água, asfalto, creches, ônibus etc... com fim das CEBS ( Comunidades Eclesiais de Bases) que originou os movimentos sócias recentes, comecei a participar desses movimentos de luta por melhorias da região, e estou até hoje.

PeryNews_   No seu ponto vista quais são os espaços e equipamentos culturais e de lazer existentes na região ?

Ulisses_ Espaço de cultura, as ruas, nossas casas, os becos, as vielas, os quintais de casa (quando tem), equipamento apenas o CCJ; de lazer só o Horto ( que é longe ) as quadras das escolas estão fechadas, ou mal utilizadas.

PeryNews_   Nas suas palavras, o que estes espaços públicos de lazer e cultura tem trazido em benefícios práticos para a população da zona norte e, principalmente aqui na região do Pery e Antartica?

Ulisses_ Sinceramente? Muito pouco, quase nada, tenho a esperança que nessa nova gestão mude, porque até então tínhamos um grupo com uma visão totalmente equivocada e elitista daquele espaço, participei das discussões da concepção daquele espaço, infelizmente fui minoria, mas pensávamos em um espaço diferente.

PeryNews_    Você acha que a violência regional teria índices mais baixos se o estado cumprisse sua parte atendendo a demanda com mais espaços físicos sociais para fomento de cultura e lazer, com teatro, biblioteca, quadras poliesportivas, e com mais atividades laborterápicas e de ensino nesses bairros como no Pery/ Antártica?

Ulisses_ Concordo plenamente, é isso. O Jovem está ocioso, sem perspectiva, sem sonho, cara um jovem sem sonho é um perigo! A violência é fruto inclusive da nossa inércia, da nossa incapacidade de ação, de criação, de apoio do poder público, de falta de políticas públicas para a juventude; quando falo nossa, estou falando isso mesmo, da minha da sua de todos; da falta de capacidade de indgnação que tomou conta de nós, do nosso preconceito com o aquilo que o jovem gosta, somos críticos em relação ao FUNK, mas não oferecemos opções, o que lhes restam?

PeryNews_  É fato que, a desigualdade social na periferia eleva os índices de violência. Você considera esta região como campo de extrema violência? Porque , e como reverter este quadro?

Ulisses_ Não acho que é uma região extremamente violenta não, acho que é violenta como muitas são, mas nós temos características diferentes de outras comunidades, a origem, a questão geográfica, o fato de serem sítios no passado foi formando uma comunidade com características de interior, é claro que isso mudou, até hj aqui no Antártica mesmo temos ruas que moram um monte pernambucanos, na sua maioria parentes, outra rua, paraibanos....

PeryNews_  Ouço muito dizer que na zona norte até há espaços culturais, mas que são considerados pela sua população como ‘’elitistas’’ e há os que digam que se até se intimidam á entrar nestes espaços ou por vergonha, ou porque não os veem como feitos para o uso de moradores da periferia. Qual a sua posição em relação á este pensamento e das dificuldades de acesso dessa população ao uso e apropriação dos equipamentos públicos na região?

Ulisses_ Quando discutimos a criação do CCJ, sugeri que além daquele espaço era necessário pequenos espaços nos bairros, para fomentar grupos de teatros, bandas musicais, cineclubes, etc. a partir desses equipamentos fomentava o CCJ, que por sua vez recebia esses grupos para troca de experiência e para eventos maiores. A galera não tem grana para o busão, não tem a vivencia cultural aqui, como vai se sentir estimulados para se deslocar para o CCJ?
Juventude Atiça em ação 

PeryNews_  Há quem diga que não há interesse por cultura na periferia, o que pensa a respeito?

Ulisses_ Bobagem isso. A periferia produz cultura todo instante, pena que a mídia “rouba” e devolve deturpada e cara para nós, o que precisa é de apoio, espaços, instrumentos etc. onde as pessoas se juntaram e foram a luta deu resultado, haja visto o fenômeno dos saraus na periferia de são Paulo que está revolucionando a vida cultural da nossa cidade.

PeryNews_  Como isso poderia ser resolvido: tem alguma sugestão?

Ulisses_ Criação de espaços e utilização dos espaços existentes, como escolas por exemplo, fomentando as iniciativas existentes em maior proporção, criando festivais de teatro e bandas nas escolas, disponibilizando a programação do CCJ nas escolas, criando um roteiro cultural na região com transporte gratuito pelo menos nos fins de semana.

PeryNews_   Você considera que o grande público percebe a falta de espaços físicos de lazer e cultura aqui na nossa região
Ulisses_Sim, percebe e reclama isso, talvez não de maneira ordenada.

PeryNews_  Fale sobre os projetos para 2013

Ulisses_ Um desafio antigo, mobilizar as pessoas que abdica das colorações partidárias e do interesse pessoal em prol de discutir, de pensar, de planejar uma região melhor.


perguntas elaboradas por R. Dias e respondidas via e-mail por Ulisses de Oliveira
fotografias: Luisa Scioli & Flávio Galvão
Bate Papo Cultural na Periferia.



Desmatamentos na Cantareira pra passagem do trecho norte do rodoanel já estão acontecendo..

Esse corte sangrando no Parque Estadual da Cantareira é o preço pago pelo "progresso" dos que pensam como a DERSA; cabeça rodoviarista do passado.

Rodoanel: Desmatando a mata virgem, assassinando animais, incentivando a ocupação ilegal e desordenada e cortando a nossa serra ao meio!!!! Um corte lento e profundo que nunca deixará de sangrar em nossos corações... Ai nessa obra se vão mais de cem nascentes naturais....E lembrar que os puristas da ecologia em SP são a favor.. Cadê o Green Peace, S.O.S Mata Atlântica, IF, FF, CONSEMA, SABESP???? CADE???/

Aos poucos, depois de tantos pedidos e sugestões á antigos, novos e simpatizantes internautas residentes, ex ou visitantes do bairro Jardim Pery, muitas fotos começam a ser publicadas na web. Para o deleite dos que adoram um pouco de saudosismo. 
Aqui uma imagem de umas das mais antigas famílias do Pery. A familia do senhor Telésio.



Nova charge do heroi do Jardim Pery